Chongqing, metrópole do sudoeste da China com aproximadamente 30 milhões de moradores, chama atenção pela configuração urbana pouco ortodoxa: edifícios erguidos em encostas, ruas que existem em diferentes níveis e espaços públicos que, à primeira vista, parecem ilusão de óptica.
Uma cidade moldada pela topografia
O relevo acidentado transformou a expansão de Chongqing. Em muitos pontos, o que parece ser o “térreo” depende do lado por onde se chega: ruas, pontes e passarelas conectam entradas localizadas em alturas distintas, criando uma malha urbana em camadas. Essa disposição fez com que a cidade ganhasse popularidade nas redes sociais, onde é frequentemente descrita como uma “cidade 3D”.
Exemplo de verticalidade: o Edifício Elefante Branco
Entre os empreendimentos emblemáticos está o complexo conhecido como Edifício Elefante Branco, erguido no início da década de 1990 durante a fase inicial de urbanização local. O conjunto residencial converteu uma área de moradias antigas em um lote de alta densidade, com torres que chegam a 24 andares. Em outros pontos da cidade há até praças construídas sobre coberturas — é comum sair de uma área aberta e perceber, na borda, dezenas de andares abaixo.
Mobilidade entre níveis: escadas, passarelas e bondinhos
Para vencer desníveis, os moradores usam uma combinação de soluções: longas escadarias em bairros mais inclinados, passarelas elevadas que ligam edifícios e bondinhos/cable cars que atravessam morros e rios integrando diferentes setores da cidade. Em ruas antigas, ainda se vê, em trechos de difícil acesso, carregadores que transportam mercadorias manualmente por escadas íngremes — uma prática tradicional que permanece essencial onde veículos não chegam com facilidade.
Crescimento acelerado e consequências econômicas
Nas últimas décadas, Chongqing passou por uma das expansões urbanas mais rápidas do país. O boom da construção permitiu que muitas famílias comprassem apartamentos a preços relativamente baixos durante o auge do setor. Nos últimos anos, contudo, a crise do mercado imobiliário chinês provocou excesso de oferta em diversas regiões, queda nos preços dos imóveis e perda de postos de trabalho na construção civil — efeitos também sentidos na cidade.
Rotina local e apelo turístico
Para quem vive na cidade, a configuração em camadas é parte do cotidiano: a verticalidade molda trajetos, pontos de encontro e o uso do espaço público. Para visitantes, a sensação de estar em uma espécie de ilusão óptica é frequente — sobretudo ao descobrir que uma área que parecia ser uma praça comum é, na verdade, a cobertura de um prédio de muitos andares. Apesar das mudanças econômicas recentes, Chongqing segue como um exemplo de adaptação urbana a um terreno complexo e continua a atrair interesse internacional pela singularidade de sua paisagem.
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via G1 mundo