Quatro deputados democratas da Câmara dos EUA anunciaram, em 17 de setembro de 2026, a apresentação de uma Joint Resolution of Disapproval (resolução conjunta de desaprovação) destinada a impedir que o acordo de cooperação nuclear civil entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita entre em vigor.
Os congressistas responsáveis pela iniciativa são Gregory Meeks (D-N.Y.), o líder democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, e os representantes Brad Sherman (D-Calif.), John Garamendi (D-Calif.) e Don Beyer (D-Va.). Eles afirmam que o acordo se afasta de décadas de padrões de não proliferação e apresenta riscos à estabilidade regional.
O governo enviou o texto do pacto ao Congresso em agosto de 2026, abrindo uma janela de revisão de 90 dias prevista pela Seção 123 da Lei de Energia Atômica de 1954; se o Legislativo não aprovar uma resolução de desaprovação nesse prazo, o acordo pode entrar automaticamente em vigor.
Entre as principais críticas apontadas pelos deputados estão a ausência de proibições explícitas à atividade de enriquecimento de urânio e à reprocessamento de combustível — as chamadas exigências do “gold standard” — e a não inclusão do Protocolo Adicional do AIEA, que amplia poderes de inspeção. Para os autores da resolução, essas lacunas deixam vias abertas que poderiam facilitar um programa de armas nucleares no futuro.
O acordo prevê um programa de cooperação de longo prazo, com construção de reatores AP1000 e projetos estimados em dezenas de bilhões de dólares que beneficiariam empresas vinculadas à cadeia global do setor nuclear. Parlamentares também exigem a divulgação de todas as cartas e anexos classificados que foram negociados com Riad.
O governo afirma que o pacto inclui medidas de não proliferação exigidas por lei; porém, os democratas dizem que essas garantias não são suficientes. Além disso, há incerteza sobre condicionantes políticas: embora o presidente tenha declarado que o acordo só será acionado se a Arábia Saudita normalizar relações com Israel, não há no texto do próprio acordo uma exigência explícita nesse sentido.
Analistas e legisladores lembram que, historicamente, nenhuma resolução de desaprovação relativa a acordos de cooperação nuclear civil teve sucesso em fazer o pacto ser rejeitado pelo Congresso, o que torna o caminho legislativo menos previsível. A tramitação da resolução poderá depender do calendário e da composição das comissões após as eleições de novembro.
Como contexto adicional, documentos públicos indicam que a transmissão do acordo ao Congresso incluiu uma Nuclear Proliferation Assessment Statement (avaliação de proliferação) não classificada, e que debates sobre a obrigação da Arábia Saudita de aderir ao Protocolo Adicional do AIEA têm sido centrais nas discussões de não proliferação.
via INVESTING AÇÕES