Os Estados Unidos estão conduzindo operações militares conjuntas no norte do Equador, próximas à fronteira com a Colômbia, com o objetivo de enfrentar redes de tráfico de drogas que atuam na região.
O governador da província de Esmeraldas, Juan Jaramillo, confirmou na quarta-feira (19) a cooperação com forças americanas no combate ao que classificou de “narcoterrorismo”, mas se recusou a revelar quantos soldados dos EUA foram deslocados ou desde quando estão atuando no território.
“Estamos no sétimo grupo do Exército dos Estados Unidos (…) estamos trabalhando em conjunto na luta contra o narcoterrorismo”, declarou Juan Jaramillo.
Na quinta-feira (20), o ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, anunciou a chegada de dois navios de guerra e três helicópteros Black Hawk fornecidos pelos EUA para intensificar o controle de pontos marítimos e cidades litorâneas, entre elas a cidade de Manta, afetada por violência ligada ao crime organizado.
“Vamos triplicar nossas capacidades de interdição na zona marítima”, afirmou Loffredo em um vídeo divulgado nas redes sociais.
As operações foram descritas pelas autoridades como sigilosas e integram o acordo conhecido como Escudo das Américas — uma coalizão antidrogas composta por cerca de 20 países da América Latina e do Caribe, liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Também na quinta (20), Washington anunciou o bloqueio de dez embarcações pesqueiras equatorianas sob suspeita de envolvimento com o narcotráfico e impôs sanções a 15 pessoas apontadas como integrantes de uma rede criminosa.
O governo equatoriano publicou esta semana um decreto que autoriza militares dos Estados Unidos a permanecer em solo equatoriano por até 180 dias sem necessidade de visto, concedendo a esses militares imunidade migratória.
Especialistas e autoridades locais destacam que Esmeraldas enfrenta índices elevados de homicídios, sequestros e extorsões, e que criminosos utilizam portos do Pacífico para exportar drogas para os Estados Unidos e a Europa. O presidente Daniel Noboa, de tendência conservadora, adotou políticas mais duras contra o crime desde que assumiu em 2023; no ano passado o país registrou um recorde de 52 homicídios por 100 mil habitantes.
Há meses, segundo autoridades, EUA e Equador realizam operações conjuntas com a finalidade de capturar grupos criminosos responsáveis pela escalada de violência.
Críticas e repercussões internacionais também acompanham a ofensiva antidrogas da administração americana. Em 2025, campanhas de ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico atribuídas a políticas de Washington resultaram em pelo menos 215 mortos, segundo levantamentos publicados na época. Organizações como a Human Rights Watch e veículos da imprensa internacional responsabilizaram os Estados Unidos por bombardeios a lanchas pesqueiras que teriam deixado ao menos oito pessoas desaparecidas no Equador.
Em 2025, um referendo no Equador rejeitou a instalação de bases militares americanas no país, o que aumenta a sensibilidade política em torno da presença de tropas estrangeiras no território.
Autoridades equatorianas afirmam que as ações conjuntas têm foco na interdição marítima e na desarticulação de cadeias logísticas do tráfico, enquanto grupos de direitos humanos e setores da sociedade exigem transparência e prestação de contas sobre operações que estão sendo mantidas em sigilo.
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via G1 mundo