A agência federal de segurança veicular dos Estados Unidos abriu uma investigação preliminar sobre falhas no motor que, segundo documentos oficiais, envolve uma frota estimada em 877.710 caminhões e SUVs da General Motors equipados com o motor V8 6.2L (RPO L87). A apuração foi motivada por dezenas de reclamações relatando perda súbita de propulsão devido a danos em mancais e componentes internos do motor.
Entre os modelos incluídos no escopo inicial da investigação estão as picapes Chevrolet Silverado 1500 (2019–2024) e GMC Sierra 1500 (2019–2024), além dos SUVs Chevrolet Tahoe e Suburban, GMC Yukon e Yukon XL e Cadillac Escalade/Escalade ESV (a maioria nos anos-modelo 2021–2024). A agência descreveu o problema como ruptura de mancais que pode levar ao travamento do motor ou à perfuração do bloco por uma biela, sem sinais prévios detectáveis.
Em resposta a dificuldades identificadas na linha de montagem de peças fornecidas por terceiros, a própria fabricante anunciou em 24 de abril de 2025 um recall que abrange aproximadamente 597.630 veículos produzidos entre 1º de março de 2021 e 31 de maio de 2024. A solução definida pela montadora prevê inspeção do motor em concessionária; veículos que passarem na checagem receberão óleo de maior viscosidade (substituição do óleo, nova tampa e filtro) e aqueles que falharem serão submetidos à substituição do motor. Concessionárias foram notificadas em 24 de abril de 2025 e a notificação a proprietários foi estimada para começar em 23 de junho de 2025.
Na análise interna que acompanhou o processo de recall, a fabricante registrou 28.102 ocorrências ou queixas nos Estados Unidos relacionadas a falhas do motor L87 recebidas entre 29 de abril de 2021 e 3 de fevereiro de 2025; desse total, 14.332 relatavam perda de propulsão. As investigações de desmontagem apontaram duas causas principais: contaminação (sedimentos) em galerias de óleo e nas bielas, e dimensões/superfície do virabrequim fora da especificação, problemas atribuídos a fornecedores. Também foram registradas alegações de incêndio no compartimento do motor em alguns casos, e um número reduzido de relatos de colisões presumivelmente associadas ao evento.
Com a evolução dos relatos, a agência elevou a revisão para uma análise de engenharia (EA25007) em 23 de outubro de 2025, após receber mais de mil denúncias relacionadas a falhas de mancais. Posteriormente, em 16 de janeiro de 2026, foi aberta uma consulta específica (RQ26001) para avaliar a eficácia do remédio do recall: houve relatos de proprietários cujos motores falharam mesmo depois de a inspeção e o reparo recomendados terem sido aplicados. Essas etapas refletem a preocupação regulatória sobre casos em que a solução implementada pode não evitar falhas posteriores.
Além das ações de reparo, a montadora informou que aprimorou processos de manufatura dos componentes afetados e instituiu uma cobertura especial para os motores inspecionados que permanecerem em circulação: a proteção tem duração de 10 anos a partir da data de entrada em serviço do veículo ou até atingir 150.000 milhas, o que ocorrer primeiro.
O risco principal apontado pelas autoridades é a perda inesperada de propulsão durante a condução, que pode aumentar a probabilidade de acidentes. Proprietários de veículos potencialmente afetados foram instruídos nas comunicações oficiais da fabricante a aguardar os avisos de recall e procurar concessionárias autorizadas para a inspeção e, quando indicado, a reparação ou substituição do motor.
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via INVESTING AÇÕES