A Anglo American advertiu que poderá encerrar suas operações de níquel no Brasil caso a Comissão Europeia barre a venda do negócio à MMG, acordo avaliado em até US$ 500 milhões. A posição será apresentada por executivos da mineradora em audiência fechada com reguladores em Bruxelas.
O pacote de ativos vendido inclui as operações de ferroníquel e projetos associados que compõem o negócio brasileiro de níquel da Anglo American, negócio anunciado em 18 de fevereiro de 2025 por um valor máximo de US$ 500 milhões. A transação foi notificada à Comissão Europeia como concentração sujeita ao exame antitruste sob o processo identificado no caso M.11944.
A autoridade europeia expressou preocupações de que a aquisição pela MMG possa permitir o desvio de fornecimentos para fora do mercado europeu, prejudicando produtores locais de aço inoxidável. Em meados de setembro de 2026 a MMG recebeu uma Statement of Objections da Comissão, passo formal que aponta possíveis problemas concorrenciais e intensifica o escrutínio sobre a operação.
Na audiência, representantes da Anglo American no Brasil, entre eles o diretor de operações Ruben Fernandes e a diretora financeira Cristina Morgan, buscarão demonstrar que a venda não afeta a segurança de fornecimento da indústria europeia e defenderão que a operação é consistente com a continuidade dos contratos comerciais.
Em comunicado preparado para a sessão, a empresa avisará que, caso a Comissão proíba a transação e nenhuma alternativa viável de comprador seja aprovada, restarão poucas opções além de iniciar medidas de “manutenção e conservação” — expressão utilizada para descrever a paralisação gradual das atividades nas unidades afetadas, com impacto direto sobre empregos e produção local.
Reguladores europeus têm argumentado que o controle da MMG sobre os ativos poderia reduzir a previsibilidade das exportações de ferroníquel para a Europa, matéria-prima essencial para a produção de aço inoxidável. O debate ocorre em um contexto de maior atenção global sobre cadeias de suprimento de minerais críticos e riscos de concentração geográfica de oferta.
Com a disputa regulatória em curso, o desfecho dependerá das próximas etapas do processo de análise da Comissão Europeia; em paralelo, a Anglo American e a MMG mantêm posições públicas de que o acordo traz benefícios comerciais e oportunidades de investimento no Brasil.
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via INVESTING AÇÕES