A cidade espanhola de Ceuta deu início aos funerais de imigrantes cujo corpo não foi identificado após a tentativa de entrada massiva do fim de julho. Na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, 18 mortos foram enterrados em um cemitério muçulmano local; as sepulturas foram marcadas com pedras numeradas e os corpos foram colocados voltados para Meca, conforme a tradição islâmica.
As vítimas enterradas estavam entre mais de 90 pessoas que perderam a vida na mais letal crise de fronteira recente na Espanha, ocorrida há cerca de três semanas, quando, segundo autoridades, impulsionados por boatos em redes sociais, pobreza e desemprego, mais de 72 mil migrantes chegaram a Ceuta no final de julho de 2026.
Durante os enterros, um líder religioso muçulmano conduziu orações e cânticos. Said Mohammed, gerente interino do cemitério, informou que todos os sepultados eram homens e que os números nas lápides serviriam para facilitar futuras reclamações por familiares.
Uma organização de direitos humanos marroquina pediu a suspensão dos enterros até que se esgotem todos os recursos para identificar os corpos e repatriá‑los ao Marrocos, país de origem da maioria dos que realizaram a travessia. A entidade também solicitou ao Ministério das Relações Exteriores marroquino que garanta a devolução dos corpos às famílias para enterrá‑los com dignidade, e classificou os sepultamentos como mais uma consequência da tragédia humana causada pelo deslocamento forçado.
O governo local de Ceuta afirmou que a documentação necessária para a repatriação está pronta, mas que Rabat ainda não aceitou os procedimentos. O Ministério das Relações Exteriores do Marrocos não respondeu às perguntas feitas pela agência Associated Press sobre os enterros e sobre alegações de bloqueio à repatriação.
Segundo relatos de autoridades e de equipes de resgate, muitos dos mortos se afogaram ao tentar atravessar pelo mar ou morreram em tumultos e apertos durante a travessia de barreiras próximas a postos de controle fronteiriços.
Autoridades locais de Ceuta estimam que até 10 mil migrantes, entre homens, mulheres e crianças, ainda podem permanecer na cidade após a crise; o governo central da Espanha calcula um número menor, em torno de 5 mil. Espera‑se que novos enterros ocorram caso corpos não sejam identificados ou reclamados por familiares.
Data dos enterros: 21 de agosto de 2026. Contexto: crise migratória ocorrida no final de julho de 2026.
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via G1 mundo