São Paulo — 21/08/2026 — Em entrevista aos apresentadores Júlia Duailibi e Fernando Nakagawa, no programa GloboNews Mais, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que os problemas enfrentados pelas Casas Bahia são específicos da empresa e não configuram, segundo ele, um sinal de crise geral na economia brasileira.
Durigan ressaltou que, em uma análise histórica mais ampla, há redução no número de falências e de recuperações judiciais. Segundo o ministro, o setor varejista aparece atrás de outros segmentos, como a indústria, na fila de dificuldades quando esses indicadores são comparados ao longo do tempo.
Sobre o episódio das Casas Bahia, o ministro lembrou que o grupo já havia passado por uma recuperação extrajudicial e não conseguiu superar os problemas de endividamento.
“Então, há uma série de elementos que explicam, em grande medida, o que está acontecendo, mas que não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há.”
Durigan atribuiu parte das dificuldades no varejo aos juros elevados. Ele explicou que o setor tem margens apertadas e depende intensamente de crédito — tanto para financiar estoques e fornecedores quanto para sustentar as vendas às famílias —, o que o torna mais sensível ao aumento do custo do dinheiro.
“Não posso fugir do tema dos juros, porque o setor varejista tem margens apertadas e depende — a gente fala ‘alavancado’, no jargão mais técnico — de crédito para trás, para os seus fornecedores, e depende do crédito para frente, para as famílias, para os consumidores que compram.”
Compromisso com ajuste fiscal
Ao comentar a resposta do governo aos efeitos dos juros, Durigan afirmou que parte da solução passa por fortalecer a política fiscal. Ele citou medidas já aprovadas no Congresso para conter o crescimento das despesas, bloqueio no Orçamento deste ano e ações que, segundo o ministro, vão abrir espaço fiscal para 2027.
Durigan estimou que o ajuste pretendido, considerando o conjunto de medidas, pode equivaler a algo como 2% do PIB. Como exemplo de propostas não aprovadas integralmente, ele mencionou a limitação do crédito presumido de PIS/Cofins, que, segundo o ministro, representava cerca de R$ 40 bilhões.
“E a gente vai seguir apertando o arcabouço fiscal para que a gente tenha um resultado cada vez melhor do ponto de vista fiscal, que é o trabalho do ministro da Fazenda: colaborar com a política monetária, fazendo o seu papel do lado da política fiscal.”
O ministério informou que, na próxima semana, apresentará detalhes de uma medida que deve aliviar a pressão sobre despesas obrigatórias em aproximadamente R$ 10 bilhões ou mais. Durigan disse que a proposta trará transparência sobre os ajustes planejados.
Entre as frentes mencionadas pelo ministro estão a redução de benefícios tributários, revisão de gastos obrigatórios, ganho de eficiência da máquina pública e limite para o aumento de despesas com pessoal. Ele citou que, para 2027, há um limite de 0,6% para incremento de despesa com pessoal, o que, na visão do governo, impõe disciplina e incentiva investimentos em sistemas e produtividade em vez de contratações.
Durigan também afirmou que não está em discussão a desvinculação de benefícios previdenciários e sociais do salário mínimo.
“Não está colocada a desvinculação do salário mínimo dos benefícios, tanto previdenciários quanto alguns sociais.”
Questionado sobre a possibilidade de reduzir a meta de crescimento das despesas no arcabouço fiscal de 2,5% para 1,5%, o ministro evitou cravar números e afirmou que a trajetória fiscal ficará mais clara com a apresentação do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA), que será entregue ao Congresso na semana seguinte.
Durigan também afirmou que o governo já propôs medidas mais ambiciosas, mas que parte delas não avançou no Legislativo. Como definição de estratégia, ele disse preferir um processo de diálogo com o Congresso e outros Poderes.
Ao encerrar a entrevista, o ministro reafirmou o compromisso do Executivo em fazer o necessário para reduzir a taxa de juros, combinando medidas fiscais com transparência nas ações propostas.
“Nós vamos resolver as questões, dando transparência e com esse compromisso, dentro de um projeto muito claro de responsabilidade fiscal, fazer o que for necessário para diminuir a taxa de juros, que é, sim, uma questão para o país.”
Reportagem: Isabela Ortiz — atualizado em 21/08/2026
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via G1 mundo