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Eni planeja levar usina de fusão comercial à Europa no início da década de 2040

Eni planeja levar usina de fusão comercial à Europa no início da década de 2040

A Eni anunciou que pretende participar do desenvolvimento de uma usina de fusão comercial na Europa nos primeiros anos da década de 2040, prazo que a empresa considera alcançável graças à sua participação e parceria tecnológica com a americana Commonwealth Fusion Systems (CFS).

Francesca Ferrazza, responsável pelas iniciativas de fusão magnética no grupo, afirmou que a fusão deixou de ser vista apenas como pesquisa científica e que o negócio pode transformar-se em uma nova atividade industrial para a companhia — descrita internamente como a “próxima refinaria” da Eni.

A Eni já investe na CFS desde 2018 e posiciona-se como parceira tecnológica em projetos que incluem o reator-piloto SPARC, em desenvolvimento nos Estados Unidos, e o projeto ARC, planejado como a primeira usina de escala de rede. Documentos do grupo citam o cronograma de SPARC como etapa para validar a produção líquida de energia por fusão e indicam que o ARC tem meta de operação nas primeiras décadas de 2030 nos EUA, cenário que embasa a ambição de replicar usinas comerciais na Europa na década seguinte.

Além do investimento direto em tecnologia magnética, a Eni firmou neste ano uma joint venture com a autoridade nuclear do Reino Unido para oferecer serviços especializados ao setor de fusão — com foco em aspectos do ciclo de combustível, como recuperação, purificação e reciclagem de deutério e trítio. A empresa avalia que essa cadeia de serviços pode constituir uma nova unidade industrial com aplicação em futuros reatores comerciais.

Especialistas e estudos públicos sobre o setor apontam que, mesmo em cenários otimistas, a chegada de centrais de fusão comercial em escala de rede pode ficar concentrada entre meados e final dos anos 2040 ou na década de 2050, dependendo de avanços tecnológicos e de parcerias público-privadas. A Eni, contudo, aposta em combinar investimentos em startups, capacidade industrial e expertise em gestão de grandes projetos para reduzir riscos e acelerar desdobramentos comerciais.

Nos documentos institucionais da própria Eni, a companhia descreve a fusão magnética como uma das tecnologias com potencial disruptivo no seu portfólio de transição energética e destaca investimentos em supercomputação, infraestrutura industrial e projetos de captura de carbono como fatores que podem facilitar a integração operacional de futuras usinas de fusão ao sistema elétrico.

O movimento reafirma a estratégia de grandes empresas de energia em diversificar ativos rumo a fontes de baixo carbono e a serviços associados (como o ciclo de combustível), abrindo caminho para uma nova cadeia industrial caso a fusão atinja viabilidade técnica e econômica.

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via INVESTING AÇÕES

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