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Pesquisas eleitorais falsas nos EUA: o que se sabe sobre a empresa que as divulgou

Pesquisas eleitorais falsas nos EUA: o que se sabe sobre a empresa que as divulgou

Nos últimos dias, pesquisas eleitorais que depois foram classificadas como fabricadas circularam nas redes sociais dos Estados Unidos, incluindo uma que atribuía à prefeita de Los Angeles, Karen Bass, uma liderança de cerca de 12 pontos na corrida pela prefeitura. A campanha de Bass chegou a republicar o levantamento, depois o removeu e afirmou que qualquer tentativa de influenciar uma eleição de má-fé precisa ser investigada.

Como as pesquisas apareceram

Os supostos levantamentos foram publicados em agosto por uma entidade que se identificou como Median Strategies e incluíam resultados referentes às primárias democratas para governador em Wisconsin, à corrida para governador em Nevada e à eleição para prefeito de Los Angeles. Poucos dias após a divulgação, a Median admitiu, em entrevista a um jornal local na segunda-feira, 17 de agosto, que os números eram falsos.

O que a Median Strategies disse

Antes de retirar seu site do ar, a organização publicou uma nota afirmando que a divulgação fazia parte de “um experimento social de curto prazo para examinar como supostas informações de pesquisas poderiam entrar e se espalhar pelo ecossistema de informações políticas sem verificação independente”. O texto também declarou que o projeto estava concluído, que não haveria novos levantamentos e que as divulgações anteriores haviam sido removidas e não deveriam ser tratadas como dados autênticos.

Quem está por trás — e o que se sabe até agora

Até agora permanece incerto quem criou ou financiou a Median Strategies. O endereço de e-mail listado no site, segundo apuração, não respondeu às perguntas enviadas. O domínio havia sido registrado pouco mais de uma semana antes das primeiras publicações.

Repercussão entre campanhas, agregadores e imprensa

A campanha de Bass disse ter apagado a postagem que promovia a pesquisa, defendendo-se com o argumento de que o levantamento “foi noticiado por diversos veículos de imprensa”; Alex Stack, porta-voz da campanha, acrescentou que qualquer tentativa de má-fé para influenciar eleições deve ser investigada e processada com rigor.

Perfis e contas que reúnem pesquisas nas redes sociais compartilharam os resultados da Median, mas os grandes agregadores independentes de levantamento — incluindo o The New York Times, Real Clear Politics e FiftyPlusOne — não incluíram aquelas sondagens em suas bases porque lhes faltavam as informações básicas necessárias para checagem, como a identificação clara de quem dirigia a Median.

Impacto nos mercados de previsão

Plataformas de previsão, onde pessoas compram e vendem contratos sobre resultados eleitorais, também reagiram de forma mensurável, embora discreta. Na Kalshi, a cotação de um contrato a favor da vitória de Bass subiu dois centavos — de cerca de US$0,63 para US$0,65 — nos quinze minutos após a postagem com a pesquisa. Na Polymarket, cerca de vinte contas negociaram milhares de contratos a favor de Bass seis minutos depois de a informação ser divulgada. Antes desses eventos, o volume de negociações sobre a disputa pela prefeitura de Los Angeles vinha sendo baixo, com transações típicas abaixo de US$10.

Contexto e precedentes

Admissões formais de pesquisas fabricadas são incomuns, mas não inéditas. Em 2010, por exemplo, houve um caso em que levantamentos publicados para um blog político foram contestados por suposta fraude.

Especialistas em pesquisa eleitoral ressaltam que levantamentos de qualidade exigem metodologias e custos maiores — como amostragem aleatória — e que, por isso, muitas sondagens divulgadas publicamente vêm com pouca transparência sobre quem as encomendou, como foram realizadas ou quais perguntas foram feitas. Além disso, campanhas e comitês com interesses eleitorais frequentemente encomendam suas próprias pesquisas, reduzindo o número de pesquisas independentes disponíveis para avaliação de disputas eleitorais.

Resumo do que se sabe

  • As pesquisas atribuídas à Median Strategies foram publicadas em agosto e alegavam medições em Wisconsin, Nevada e Los Angeles.
  • Uma sondagem específica de Los Angeles mostrava Karen Bass com vantagem de cerca de 12 pontos; a campanha compartilhou o resultado e depois removeu a postagem.
  • A Median afirmou que os levantamentos faziam parte de um “experimento social” e retirou o site do ar, comunicando que não publicaria novos estudos.
  • Os grandes agregadores independentes não registraram as pesquisas porque faltavam dados essenciais para verificação.
  • Ainda não há identificação pública dos responsáveis pela Median Strategies, e perguntas enviadas ao e‑mail listado no site não receberam resposta.

O episódio reforça o alerta para a circulação de pesquisas não verificadas em períodos eleitorais e para a necessidade de checagens antes de republicação por campanhas, mídia e público.

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via G1 mundo

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