Share

Rubén Rocha Moya retorna ao governo de Sinaloa após quase quatro meses de afastamento por investigações de narcotráfico

Rubén Rocha Moya retorna ao governo de Sinaloa após quase quatro meses de afastamento por investigações de narcotráfico

O governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, reassumiu oficialmente o cargo nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, encerrando um afastamento de quase quatro meses. Rocha, de 77 anos, estava em licença desde 1º de maio por causa de uma investigação que o ligou a atividades de narcotráfico.

Em maio, autoridades dos Estados Unidos solicitaram a prisão e a extradição do governador, acusando-o de ter recebido apoio dos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán — conhecidos como “Los Chapitos” — para obter sucesso eleitoral em Sinaloa. É a primeira vez que a justiça norte-americana busca formalmente a detenção de um político mexicano em exercício.

Posicionamento do governador e resultados da apuração mexicana

Rocha declarou nas redes sociais que retorna ao mandato convicto de sua inocência e afirmou que as investigações conduzidas no México, encerradas após 112 dias, não produziram elementos suficientes para imputar crimes a seu nome. Ele prestou depoimento ao Ministério Público mexicano no fim de maio, segundo seu entorno.

Natural de Badiraguato — o mesmo município onde nasceu Joaquín “El Chapo” —, Rocha governa Sinaloa desde 2021 e é filiado ao partido Morena, do qual também fazem parte a presidente Claudia Sheinbaum e o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador.

Alegações e denúncias

Além das acusações formuladas pelos Estados Unidos, Rocha foi mencionado em declarações de Ismael “Mayo” Zambada, um dos antigos líderes do cartel de Sinaloa. Zambada disse ter sido atraído a uma reunião para tratar de disputas políticas e que, nesse contexto, teria sido levado aos EUA; segundo ele, o encontro teria sido organizado com participação do governador. Rocha rejeita essas alegações e classifica as denúncias como politicamente motivadas e falsas.

Impacto político e relações com o governo federal

A volta de Rocha ao Executivo estadual surpreendeu observadores políticos no México. A presidente Claudia Sheinbaum vinha sendo questionada publicamente sobre o caso e não antecipou a retomada do cargo pelo governador; nesta sexta ela não compareceu à coletiva diária por estar em repouso devido a uma gripe.

Analistas apontam que o episódio representa um momento sensível para o governo federal. David Mora, pesquisador do International Crisis Group, observou que Rocha mantém relação de proximidade com López Obrador há décadas, o que pode aumentar a pressão sobre a administração caso autoridades americanas intensifiquem pedidos de extradição.

Do lado governamental, a presidente tem afirmado que o Executivo mexicano não protegerá aliados suspeitos de vínculos com o crime organizado, mas também tem exigido que as autoridades dos EUA forneçam provas robustas antes de adotar medidas contra políticos nacionais.

Contexto bilateral

O caso ocorre em meio a um clima de tensão entre México e Estados Unidos sobre a cooperação no combate ao tráfico de drogas. Na agenda bilateral, Washington tem cobrado ações mais firmes do México contra cartéis enquanto os dois países negociam outros temas, como questões comerciais relacionadas a tratados de livre-comércio.

Com o retorno ao cargo, Rocha disse que cumprirá o mandato dos sinaloenses e retomará as funções do Executivo estadual. A situação deverá continuar sob atenção das autoridades mexicanas e dos Estados Unidos, que podem manter solicitações judiciais dependendo da evolução das investigações e de eventuais provas adicionais.

Leia também: Turquia emite ordem de prisão internacional contra Benjamin Netanyahu e outro israelense por detenção de ativistas

via G1 mundo

Sobre o autor

Deixe um comentário