O posicionamento de fundos sistemáticos que seguem tendências (CTAs) em ações voltou a osciliar nos mesmos patamares observados antes da eclosão do conflito envolvendo o Irã, segundo nota do BofA Securities divulgada em 22 de agosto de 2026.
O banco afirma que, caso a volatilidade realizada continue em queda, esses modelos ainda têm espaço para aumentar exposição — em especial os modelos mais ágeis, com capacidade para ampliar apostas nos Estados Unidos e no Japão. Em contrapartida, o posicionamento na Europa aparece mais tensionado, com exposição longa consensual em diferentes horizontes de tendência.
O relatório de BofA também chama atenção para o risco de descompressão: um caminho de preços mais negativo poderia gerar liquidações expressivas de ativos, com estimativa de vendas globais que podem superar US$100 bilhões caso se desenrole um movimento de baixa mais pronunciado.
Para dimensões específicas de índices, o banco aponta níveis onde a pressão de venda tende a acelerar — por exemplo, quedas na ordem de 3% no S&P 500; 5% no Nasdaq-100; 5% no Russell 2000; 4% no Euro Stoxx 50; e 5% no Nikkei. Segundo a mesma análise, a maior parte das vendas viria de seguidores de tendência médios e longos.
Além das ações, o monitor de fluxo de BofA indica que CTAs permanecem posicionados com vendas em futuros do Tesouro norte‑americano, enquanto o dólar perdeu parte do fôlego recentemente — situação que pressionou posições curtas em EUR/USD de seguidores de tendência mais lentos. Em commodities, os gestores sistemáticos vêm adicionando posições longas em petróleo; em ouro a participação ainda não aparece relevante; e há alocações longas em cobre e óleo de soja em modelos de maior prazo.
O novo cenário de posicionamento acontece num contexto de crescente divergência entre ações e títulos: desde o início do choque geopolítico ligados ao Irã, índices acionários se recuperaram em muitos mercados enquanto os rendimentos de títulos de longo prazo subiram, situação que deixa posições sistemáticas mais sensíveis a variações de volatilidade e de yields.
O boletim registra ainda métricas de derivativos que ajudam a mapear riscos de curto prazo: o indicador de “hedger gamma” do S&P 500 fechou em US$3,2 bilhões em 20 de agosto, nível equivalente ao percentil 39 no último ano, com contribuições limitadas de expirações mensais naquela data.
Em síntese, o retorno do posicionamento de CTAs a níveis pré‑conflito reforça um ambiente de mercado mais equilibrado, mas com pontos de fragilidade. Estratégias dependentes de tendência podem ampliar compras se a volatilidade cair, mas também têm gatilhos claros para desalavancagem em movimentos de preço adversos, o que cria um risco de realocações bruscas caso as condições macro ou geopolíticas se deteriorem.
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via INVESTING AÇÕES