O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo suas projeções de crescimento da América Latina, citando o choque de oferta de energia causado pela guerra no Oriente Médio e um impulso limitado da inteligência artificial (IA) na maior parte dos países da região.
Para 2026, o FMI estimou crescimento regional de cerca de 2,3%, uma redução em relação às projeções anteriores, em parte porque muitos países importadores de energia enfrentarão pressão sobre termos de troca e custos, enquanto apenas economias integradas às cadeias de tecnologia têm colhido ganhos significativos da expansão da IA.
A revisão destaca variação marcada entre países: a Argentina sofreu a maior revisão negativa entre os casos analisados individualmente; o Brasil teve suas estimativas reduzidas para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, ante projeções de 2,4% e 2,2% divulgadas em julho; o Chile deve desacelerar fortemente, com crescimento projetado em 0,6% neste ano, e a Bolívia aparece com contração prevista de 3,0% após recuo de 1,6% em 2025. O relatório também registra forte aceleração da inflação na Venezuela.
O FMI ressalta que o efeito líquido do choque energético depende se os ganhos para exportadores de matérias‑primas superam as perdas para importadores de energia, e realça que a capacidade de os países tirarem proveito da onda tecnológica da IA varia conforme nível de integração em cadeias globais de tecnologia, disponibilidade de energia elétrica e investimentos em capital humano e infraestrutura digital.
Como contexto global, o Fundo mantém previsões de crescimento mundial que refletem forças opostas: por um lado, estímulos da tecnologia e demanda vinculada à IA; por outro, riscos derivados do conflito e de preços elevados de energia que penalizam economias mais vulneráveis.
O relatório do FMI sublinha implicações políticas: fortalecer a credibilidade das metas de inflação, conservar espaço fiscal quando possível, direcionar investimentos para educação e capacitação digital, e melhorar a resiliência energética são medidas citadas como prioritárias para reduzir a vulnerabilidade da região a choques externos e ampliar os benefícios da transformação tecnológica.
- Projeção regional para 2026: ~2,3% de crescimento.
- Brasil: 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027 (revisão para baixo frente a julho).
- Chile: desaceleração para 0,6% no ano corrente.
- Bolívia: contração prevista de 3,0% após queda de 1,6% em 2025.
- Venezuela: aceleração expressiva da inflação registrada nas tabelas do relatório.
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via INVESTING AÇÕES