Grandes gestoras brasileiras chegaram ao segundo semestre de 2026 com posições mais conservadoras, em resposta a um mercado doméstico que, ao fim do primeiro semestre, negociava próximo de 172.024 pontos no Ibovespa e acumulava alta de cerca de 6,76% no período, com o índice cotado em torno de oito vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.
O recuo no apetite por risco se explica pela combinação de juros reais elevados, a proximidade das eleições presidenciais de outubro e fatores geopolíticos que aumentam a volatilidade. Em consequência, gestores têm reduzido exposição a ações domésticas mais cíclicas e reforçado proteção por meio de ativos de menor sensibilidade a choques econômicos.
Nas carteiras, a migração se materializa na maior alocação a ouro e cobre como hedge e no aumento de posições em ações internacionais, especialmente empresas ligadas a inteligência artificial, enquanto a exposição a papéis brasileiros passa a ser mais seletiva e defensiva. Gestores citam ainda a atratividade relativa das ações brasileiras pelo múltiplo baixo, mas ponderam riscos macro e políticos ao manter posições limitadas.
Do lado da renda fixa, o atual patamar de juros reais tem levado fundos a revisitar títulos prefixados e indexados, aproveitando a possibilidade de travar retornos reais após anos de taxas elevadas. Consultores e estrategistas recomendam tática e seletividade na construção de posições para equilibrar retorno e liquidez.
Embora a recomendação geral seja de cautela, algumas casas vêem oportunidades em setores defensivos — como energia e serviços com fluxo de caixa previsível — e destacam que o interesse de investidores estrangeiros tem mantido o fluxo e a liquidez do mercado, mesmo com redução da parcela de ações no patrimônio de fundos locais. Esse cenário sugere que ganhos potenciais virão de seleção de nomes e diversificação geográfica, não de uma retomada ampla e imediata da alocação em renda variável doméstica.
Para o restante do ano, a visão predominante entre gestores é de vigilância: o mercado segue barato em múltiplos históricos, mas a materialização de cenário positivo depende de descompressão de juros e de menor ruído político, condições que podem devolver espaço a uma expansão dos múltiplos no médio prazo.
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via INVESTING FUNDOS IMOBILIARIOS