A equipe Prime do Goldman Sachs identificou uma reversão do que vinha sendo chamado de “trade” de inteligência artificial — concentrado em ações de infraestrutura, semicondutores, memória e hardware — que começou a se desfazer a partir de 22 de junho e passou a pressionar retornos de fundos de hedge que vinham expostos a essas posições.
Segundo o banco, estratégias long-short e gestores sistemáticos (quant) foram particularmente afetados: posições muito concentradas na chamada cesta de momentum ligada à IA registraram perdas relevantes quando o fluxo se inverteu, fazendo com que alguns fundos devolvessem ganhos acumulados no ano.
Dados citados por clientes do Goldman mostram que retornos year-to-date (YTD) de estratégias sistemáticas caíram, por exemplo, de cerca de 14,4% no fim de junho para 10,8% depois das perdas no fim de junho e início de julho — uma retração que ilustra o impacto do movimento de realização de lucros e de deleveraging em posições muito concorridas.
Apesar da correção em papéis ligados à IA, o desempenho médio dos fundos de hedge até o fim de junho ainda havia mostrado números sólidos, com rentabilidade média em torno de 9% no primeiro semestre, sustentada por outros segmentos e por gestores que privilegiaram seleção de ações individuais.
O relatório do Prime Services também registrou um ritmo recorde de redução de exposição a ações de tecnologia nos dois meses anteriores ao relatório, sinalizando que gestores vêm colhendo posições que se tornaram excessivamente concentradas durante a alta do setor.
Analistas do Goldman apontam que a retração tornou o ambiente menos favorável para trades de efeito um-único (one-way beta) e transformou o cenário em um mercado mais seletivo para quem escolhe ações (stock-pickers). A mudança evidencia os riscos de estratégias que dependem fortemente de um grupo estreito de vencedores e aumenta a atenção sobre fluxo, liquidez e correlações em carteira.
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via INVESTING FUNDOS IMOBILIARIOS