A semana nos mercados foi dominada por uma migração de recursos da tecnologia para nomes defensivos, enquanto a queda do Bitcoin abaixo da marca de US$ 60.000 pressionou empresas com alta exposição à criptomoeda.
Micron: A fabricante de chips de memória foi o principal destaque positivo, com resultado trimestral que superou amplamente as expectativas. A companhia reportou lucro por ação (LPA) de US$ 25,11 ante consenso de US$ 20,49 e receita de US$ 41,46 bilhões contra estimativa de US$ 35,69 bilhões. A projeção de receita para o quarto trimestre fiscal, entre US$ 49 bilhões e US$ 51 bilhões, também ficou bem acima do consenso de US$ 43,24 bilhões. Em reação, o analista Gil Luria (DA Davidson) elevou o preço‑alvo de US$ 1.500 para US$ 2.000 e manteve recomendação de compra, citando uma visibilidade melhorada no setor de semicondutores e expectativas de equilíbrio entre oferta e demanda até 2027.
Apple: As ações acumularam queda na semana após relatos de aumentos de preços em Macs, iPads e acessórios na faixa de 15% a 25%. Analistas interpretaram o movimento como uma tentativa da companhia de preservar margens diante de custos recordes de memória, em vez de meramente repassar custos ao consumidor, o que pesou sobre o papel.
ON Semiconductor: O papel despencou depois de anunciar uma aquisição 100% em ações da Synaptics, em uma operação com valor de empresa próximo a US$ 7 bilhões — cerca de 19% acima da média recente de negociação das ações da Synaptics. A transação gerou preocupações sobre complexidade operacional, e o analista Joshua Buchalter (TD Cowen) rebaixou a recomendação de compra para neutra, reduzindo o preço‑alvo de US$ 115 para US$ 110.
MicroStrategy e criptomoedas: Empresas com balanços atrelados ao Bitcoin sofreram forte ajuste: a companhia listada pelo ticker MSTR acumulou queda superior a 28% na semana, reflexo direto do recuo do preço do Bitcoin abaixo de US$ 60.000, que reforçou preocupações sobre efeitos de alavancagem e a saúde patrimonial desses emissores. A queda do Bitcoin no período foi atribuída, entre outros fatores, a resgates em ETFs e desalavancagem no mercado cripto.
Setor farmacêutico: Em contraponto à pressão sobre tecnologia e cripto, grandes farmacêuticas se destacaram como destino defensivo de fluxo de capital: Johnson & Johnson subiu 9,4%, Merck avançou 11,4% e Eli Lilly teve alta de 7,6% na semana, impulsionadas pela rotação dos investidores em busca de proteção diante da incerteza nos mercados.
O movimento semanal reflete um ajuste entre resultados corporativos fortes em segmentos específicos (notadamente memória) e fatores macro e de liquidez que reordenaram preferências de risco dos investidores nas últimas sessões.
via INVESTING AÇÕES