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Mohsen Rezaei ameaça países vizinhos que apoiarem ‘guerra econômica’ de Trump e diz que bloqueará o Estreito de Ormuz

Mohsen Rezaei ameaça países vizinhos que apoiarem 'guerra econômica' de Trump e diz que bloqueará o Estreito de Ormuz

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou neste sábado (22/08/2026), em entrevista à mídia estatal, que países vizinhos que se aliarem a uma ofensiva econômica liderada pelos Estados Unidos serão tratados como inimigos e sofrerão retaliações.

“Dissemos a todos os países ao nosso redor que não se juntem aos Estados Unidos em sua guerra econômica, caso contrário, os consideraremos inimigos. Se os países vizinhos do Irã cooperarem com os americanos na guerra econômica, nem uma gota de petróleo sairá pelo Estreito de Ormuz, e também atacaremos outras rotas pelas quais o petróleo é exportado.” — Mohsen Rezaei

A declaração de Rezaei ocorre após o anúncio do presidente americano, Donald Trump, em 19 de agosto de 2026: em publicação na rede social Truth, Trump prometeu promover “a operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país” e disse que qualquer nação cujas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais prestem apoio ao Irã enfrentará “tremendas consequências econômicas”.

Reações internas e pedido por nova abordagem diplomática

O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Ghalibaf, afirmou nas redes sociais que as falas de Trump motivaram estados a procurarem Teerã para a criação de “novos acordos de segurança e cooperação econômica”. No X (antigo Twitter), Ghalibaf também criticou a postura dos EUA, dizendo que as ações americanas colocaram em risco a segurança e os interesses de seus aliados.

Rezaei pediu ainda que a República Islâmica reveja sua estratégia diplomática após, segundo ele, repetidas violações de compromissos por parte dos Estados Unidos durante negociações, ressaltando que “o Irã de hoje não é o Irã de antes da guerra”.

Por que a ameaça ao Estreito de Ormuz é relevante

O Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de passagem para o petróleo originado no Golfo Pérsico; interrupções nessa rota podem ter impacto significativo nos fluxos de energia e nos preços globais. Ao ameaçar impedir o trânsito de petróleo por essa via e por outras rotas de exportação, as autoridades iranianas elevam a gravidade política e econômica das tensões.

Limites e alcance de uma “guerra econômica”

Especialistas e autoridades questionam a eficácia de novas sanções contra o Irã, que já sofre restrições econômicas há anos. Em janeiro, o governo americano já havia anunciado uma tarifa de 25% para países que mantivessem comércio com o Irã.

Mesmo sob sanções, o Irã mantém uma rede de parceiros comerciais relevantes: segundo o Banco Mundial, em 2022 o país exportou bens para 147 nações. A China é atualmente o principal parceiro comercial — em 2022 o Irã exportou cerca de US$ 22 bilhões para os chineses e importou cerca de US$ 15 bilhões. A Índia aparece em seguida: nos primeiros dez meses de 2025, o comércio bilateral somou aproximadamente US$ 1,34 bilhão, com destaque para exportações indianas de arroz, frutas, verduras e medicamentos.

Outras economias de peso, como Alemanha, Coreia do Sul e Japão, também fazem parte da lista de grandes parceiros comerciais do Irã, ainda que sejam aliados dos EUA em vários temas.

Relações com o Brasil

O Irã não figura entre os 20 maiores parceiros comerciais do Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em 2025, empresas brasileiras importaram cerca de US$ 84,5 milhões do Irã — principalmente ureia, pistache e uvas secas — e exportaram ao país aproximadamente US$ 2,9 bilhões, sobretudo milho, soja e açúcar.

O que está em jogo

As ameaças verbais aumentam o risco de escalada regional e colocam em evidência a interdependência entre políticas de sanção e cadeias de comércio internacional. Caso decisões concretas de endurecimento econômico ou medidas militares sejam tomadas, a interrupção de rotas de petróleo e possíveis retaliações poderiam afetar mercados energéticos e relações diplomáticas entre vários países.

As declarações de Rezaei e as promessas de Trump marcam um momento de tensão crescente na relação entre Estados Unidos e Irã, com repercussões potenciais para a estabilidade econômica e geopolítica da região.

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via G1 mundo

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