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Quase 14 mil mortes ligadas ao calor na Alemanha em quatro meses, aponta RKI

Quase 14 mil mortes ligadas ao calor na Alemanha em quatro meses, aponta RKI

O Instituto Robert Koch (RKI) estima que quase 14 mil pessoas morreram na Alemanha entre abril e agosto de 2026 em consequência de períodos de calor extremo. O levantamento, divulgado em 20 de agosto de 2026, cobre o intervalo entre 6 de abril e 9 de agosto e classifica os números como uma estimativa conservadora.

Concentração de óbitos na onda de calor de junho

Do total apurado pelo RKI, cerca de 9,6 mil mortes ocorreram somente na semana de 22 a 28 de junho, quando muitas regiões registraram temperaturas próximas a 40 ºC, com máximas que ultrapassaram 41 ºC pela primeira vez neste verão europeu. Nesse período houve três dias consecutivos de recorde de calor em diferentes postos de medição.

Quem foi mais afetado

Idosos foram desproporcionalmente impactados: pessoas de 65 anos ou mais responderam por aproximadamente 90% dos óbitos atribuídos ao calor. Entre elas, 7.040 tinham 85 anos ou mais, cerca de 3.450 estavam na faixa de 75 a 84 anos e 2.170 entre 65 e 74 anos. Entre vítimas com menos de 65 anos foram registradas 1.320 mortes. O RKI observa que o número de mulheres é maior que o de homens, em parte porque há mais mulheres nas faixas etárias mais avançadas.

Metodologia e limites da contagem

O instituto calcula suas estimativas a partir de dados de mortalidade do Departamento Federal de Estatísticas, cruzados com informações de 52 estações meteorológicas do Serviço Meteorológico Alemão. O RKI ressalta que o calor raramente aparece como causa direta em atestados de óbito: frequentemente a morte resulta da interação entre temperaturas elevadas e doenças preexistentes.

Os números divulgados podem ser ajustados em revisões posteriores — o instituto atualiza seus cálculos mensalmente e afirma que o modelo estatístico é constantemente aperfeiçoado.

Contexto climático

O aumento de mortalidade associado ao calor tende a tornar-se perceptível quando a temperatura média semanal (combinando máximas e mínimas diárias) atinge cerca de 20 ºC, segundo o RKI. Para a Europa Ocidental, os meses de junho e julho de 2026 foram os mais quentes já registrados pelo serviço de monitoramento climático Copernicus: a temperatura média regional chegou a 21,62 ºC, 2,79 ºC acima da média de referência de 1991–2020.

Comparação com anos anteriores

Na última década, os picos de mortalidade por calor haviam ocorrido em 2018 (cerca de 9.400 mortes) e 2019 (aproximadamente 7.600), números que ficam abaixo da estimativa atual para 2026, mesmo tratando-se de um cálculo descrito pelo RKI como conservador.

As autoridades de saúde alemãs e agências climáticas mantêm a vigilância sobre ondas de calor e atualizam orientações para proteger grupos vulneráveis, em especial idosos e pessoas com condições crônicas, diante da frequência e intensidade cada vez maiores desses eventos.

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via G1 mundo

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