Autoridades russas afirmaram que ataques com drones atribuídos à Ucrânia deixaram ao menos 10 civis mortos entre a noite de sexta-feira (21) e a madrugada de sábado (22) de agosto de 2026. Os incidentes aconteceram em diferentes regiões, incluindo áreas fronteiriças e territórios controlados por Moscou no leste ucraniano.
O governador da região de Samara, Vyacheslav Fedorishchev, informou em publicação no Telegram que uma idosa morreu e várias pessoas ficaram feridas depois que um armazém da varejista online Ozon e uma instalação industrial — identificada pelas forças russas como a refinaria de Novokuibyshevsk — foram atingidos.
Em Krasnodar, no sul do país, o governador Veniamin Kondratyev relatou a morte de duas crianças e ferimentos em dois adultos após um ataque à cidade portuária de Yeysk, às margens do Mar de Azov.
Outros relatos regionais apontaram vítimas e danos nas áreas próximas à fronteira com a Ucrânia: em Belgorod duas pessoas morreram e 13 ficaram feridas; em Bryansk, quatro pessoas se feriram. Na província de Luhansk — quase inteiramente controlada por forças alinhadas a Moscou — o governador indicado por autoridades russas, Leonid Pasechnik, disse que dois civis foram mortos, entre eles um adolescente de 16 anos, e nove ficaram feridos.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter derrubado 457 drones durante a noite, número divulgado pelas autoridades russas como parte do balanço das defesas aéreas.
O presidente Vladimir Putin condenou os ataques e afirmou que Kiev, que defende suas ações como tentativas de atingir a infraestrutura que sustenta o esforço de guerra russo, teria aberto uma “caixa de Pandora” que poderia justificar retaliação russa.
Contexto e resposta ucraniana
Os episódios ocorrem em meio a uma escalada de ações dos dois lados. Nos dias imediatamente anteriores, a Ucrânia acusou a Rússia de ataques que também causaram mortes de civis: na tarde de 21 de agosto, drones russos atingiram um shopping em Kryvyi Rih, no leste do país, deixando 15 mortos e quase cem feridos; outro ataque atingiu Tokarivka, no sul, e matou quatro pessoas, três delas crianças.
O presidente ucraniano classificou o bombardeio do shopping como “cínico e calculado” e voltou a pressionar aliados por sistemas de defesa antiaérea de médio e longo alcance, como o Patriot. Em mensagem nas redes sociais, ele ressaltou a necessidade de reforços para combater a ameaça de mísseis balísticos e drones.
“A maior ameaça é a dos mísseis balísticos… Não se pode ficar em silêncio e inativo enquanto os russos destroem vidas”, afirmou o líder ucraniano, cobrando apoio dos parceiros.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu que está trabalhando com Estados‑membros e parceiros para acelerar o fornecimento de capacidades antibalísticas à Ucrânia, descrevendo esse apoio como uma prioridade urgente.
Além das reivindicações sobre alvos econômicos — como depósitos e centros logísticos — também há menções, por parte das forças russas, a instalações relacionadas à produção de componentes para drones como alvos legítimos. Observadores internacionais e governos europeus seguem monitorando a troca de ataques e as consequências sobre civis em áreas urbanas e regiões próximas às linhas de frente.
Em meio ao agravamento das hostilidades, o Kremlin disse não ter confirmação sobre notícias de que os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner teriam visitado Moscou, após declarações do presidente ucraniano de que havia apresentado propostas de paz a representantes dos Estados Unidos.
As informações sobre vítimas e números de dispositivos interceptados foram divulgadas por autoridades regionais e militares russas; relatos de danos e mortes em áreas ucranianas referentes a ataques russos foram confirmados por autoridades de Kiev, em uma rotina de acusações recíprocas que marcou a sequência de violência nos últimos dias.
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via G1 mundo