O Ibovespa teve sessões marcadas por fluxos de curto prazo ligados ao que o mercado chama de “trade eleitoral”, com compras e vendas rápidas em papéis sensíveis ao cenário político. Mesmo assim, a pressão vinda da retirada de investidores estrangeiros seguiu determinando o rumo do índice e do câmbio no mês de agosto.
Na sessão de quinta-feira, 20 de agosto de 2026, o índice fechou em 167.888 pontos, em um pregão em que oscilações intradiárias refletiram tanto o apetite por apostas eleitorais quanto o impacto da saída de recursos internacionais.
Os dados de fluxo mostram que, até 18 de agosto, R$ 20,4 bilhões haviam deixado a B3 desde o início do mês, com episódios de saída concentrados em algumas sessões — a maior retirada em um único dia foi de R$ 4,717 bilhões. Esse movimento tem ampliado a volatilidade e reduzido a sustentação da bolsa mesmo quando há entradas pontuais motivadas por expectativas sobre a eleição.
O recuo do capital estrangeiro não é homogêneo: ele costuma afetar especialmente as ações de maior peso no índice. Entre os papéis que registraram maior volatilidade nas recentes sessões estão empresas de infraestrutura, bancos e grandes produtores de commodities, refletindo realocações de carteira diante da incerteza política.
Além da retirada de recursos, o câmbio também sentiu a pressão: o dólar testou patamares próximos de R$ 5,20 em momentos recentes, acompanhando a demanda por proteção cambial enquanto posições compradas em real foram reduzidas. Esse movimento torna a dinâmica entre bolsa e dólar mais sensível a entradas e saídas de não residentes.
Analistas apontam que a combinação de maior percepção de risco fiscal, a aproximação do calendário eleitoral e o aumento da atratividade de ativos no exterior têm levado fundos internacionais a reduzir exposição ao Brasil. Relatos de revisões de recomendações por bancos internacionais e a manutenção de juros reais elevados também contribuíram para a migração de recursos para renda fixa ou para mercados externos.
Na prática, o chamado “trade eleitoral” tem criado oportunidades de curto prazo para operadores locais, que buscam lucrar com variações ligadas a pesquisas e notícias políticas. No entanto, sem um fluxo externo consistente, qualquer ganho pontual tende a ser contestado por pressões de liquidez e por maior prêmio de risco exigido pelos investidores.
Para os próximos dias, o mercado ficará atento tanto à evolução dos números de fluxo de capital quanto a desdobramentos políticos e econô micos que possam alterar expectativas sobre juros, inflação e trajetória fiscal — variáveis decisivas para a permanência ou o retorno do dinheiro estrangeiro.
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via INVESTING AÇÕES