O acadêmico norte-americano Nathan Cofnas anunciou nesta quinta-feira (20) que foi suspenso pela Universidade de Ghent, na Bélgica, e que está sendo alvo de uma investigação por discriminação. Cofnas havia publicado acusações de plágio contra o professor britânico Jason Arday semanas antes da morte do docente.
“Acabei de ser suspenso pela Universidade de Ghent. É quase certo que eles vão me demitir”, escreveu Cofnas em sua conta no X.
Horas antes, ele também havia afirmado que estava “sob investigação pela minha universidade por discriminar Arday”. A instituição belga informou que a suspensão ocorreu “como medida preventiva” enquanto tramita uma investigação disciplinar preliminar, mas declarou que não pode detalhar o caso “para salvaguardar a confidencialidade do arquivo pessoal e do processo disciplinar”.
Jason Arday, que ganhou destaque por ter sido apontado como o mais jovem professor negro de Cambridge, foi encontrado morto em Londres aos 41 anos, em um episódio ocorrido na sexta-feira (20), dias depois de ter se demitido do cargo. Arday negou as acusações de plágio, embora tenha reconhecido ter cometido erros; sua família afirmou que ele vinha sofrendo desinformação e assédio.
Milhares de pessoas participaram de uma vigília no centro de Londres na segunda (17) para prestar homenagem a Arday. O político Andy Burnham descreveu a morte como “uma tragédia em muitos níveis” e pediu um momento de reflexão.
Em 21 de julho, Cofnas escreveu em sua página no Substack que havia sido contatado por uma fonte da Universidade de Cambridge a respeito de suspeitas de plágio envolvendo Arday, e afirmou na ocasião que não revelaria a identidade da fonte. As reportagens sobre as acusações levaram a questionamentos públicos sobre outros aspectos da vida do professor, incluindo declarações sobre sua carreira, vida pessoal e questões médicas.
O próprio Cofnas enfrentou críticas por publicações em seu blog que motivaram o Emmanuel College, de Cambridge, a encerrar uma parceria com ele. Entre as controvérsias estava um texto em que, segundo críticos, ele sugeria que, em uma meritocracia, negros desapareceriam de muitos cargos de destaque fora dos setores de esporte e entretenimento. Cofnas nega ser racista e mantém disputa judicial com o Emmanuel College.
Enquanto as investigações internas prosseguem na Universidade de Ghent, a comunidade acadêmica e ativistas seguem acompanhando desdobramentos tanto sobre as alegações de plágio quanto sobre as medidas disciplinares contra Cofnas.
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via G1 mundo