O governo federal divulgou, em 20 de agosto de 2026, um projeto para a aquisição de um supercomputador dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento de inteligência artificial. O investimento previsto é de R$ 1,06 bilhão, e o equipamento principal deverá iniciar operações em 2027.
Máquina no Rio Grande do Norte
A futura infraestrutura será comprada por meio de edital e instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no entorno da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a escolha do estado se deve ao potencial energético local e à intenção de descentralizar a infraestrutura de alta tecnologia no país.
O supercomputador do RN terá capacidade de 7.200 petaflops e será usado, entre outras funções, para criar e treinar modelos de inteligência artificial. Em comparação ilustrativa divulgada pelo governo, essa capacidade equivale, em um segundo, à quantidade de cálculos que os 8 bilhões de habitantes da Terra levariam quase 29 anos para executar.
Flop (floating point operation per second) é a unidade que mede o número de operações matemáticas simples que um computador pode realizar por segundo; petaflops correspondem a quadrilhões dessas operações.
A estrutura será acessível a empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos públicos, com objetivo declarado de ampliar a capacidade de processamento nacional e reduzir a dependência de provedores estrangeiros. O governo espera impactos em setores como agricultura, indústria, saúde e prevenção de desastres climáticos.
Segundo supercomputador no Rio de Janeiro
Paralelamente, há previsão de instalação de outra máquina no Rio de Janeiro, resultado de parceria entre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e as empresas chinesas Huawei e iFlyTek. De acordo com a pasta responsável, esse segundo equipamento deve começar a operar em julho de 2027 e terá aporte de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos.
O equipamento do Rio será utilizado, entre outras finalidades, para criar um modelo de linguagem em português pensado para o contexto brasileiro, parecido em conceito aos modelos comerciais conhecidos publicamente. A iniciativa visa facilitar o desenvolvimento de soluções de IA mais adequadas às necessidades locais.
Plano e iniciativas complementares
As medidas fazem parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado em 2024; o plano prevê R$ 23 bilhões em investimentos na área até 2028.
O anúncio incluiu também a estruturação da chamada Nuvem Brasileira, um serviço nacional de armazenamento e processamento de dados que será desenvolvido com padrões abertos e interoperáveis para evitar dependência de um único fornecedor. A proposta será organizada por meio de acordo entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o Serpro e o BNDES, e o mercado terá oportunidade de opinar sobre capacidade e modelo de implementação.
Produção de chips com arquitetura RISC‑V
Outra frente do plano prevê o fortalecimento da cadeia local de produção de chips para IA, com horizonte de implementação de 10 a 15 anos. A estratégia apostará na arquitetura RISC‑V — um padrão de instruções aberto — para reduzir a dependência de tecnologias controladas por poucas empresas.
O desenvolvimento será feito em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona (Espanha), segundo o governo, visando transferir conhecimento e acelerar a capacitação nacional.
Órgão de avaliação e transparência em IA
O anúncio prevê a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que terá estrutura técnica coordenada pelo Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O órgão terá funções técnicas — como monitoramento de sistemas, identificação de riscos e desenvolvimento de metodologias para reduzir vieses — e não terá poder sancionatório sobre empresas.
O conjunto de medidas busca ampliar a infraestrutura de computação avançada e a governança em torno de tecnologias de IA no Brasil, além de fomentar pesquisa, inovação e um ambiente mais autônomo para tratamento e processamento de dados críticos à economia e ao setor público.
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via G1 mundo