O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Ghalibaf, afirmou neste sábado (22/08/2026) que governos vizinhos enviaram mensagens propondo a criação de “novos arranjos de segurança e cooperação econômica” com o Irã.
Em postagem na rede social X, Ghalibaf disse que as declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, motivaram o contato por parte desses países. Trump anunciou, na quarta-feira (19), o que chamou de uma “operação econômica mais esmagadora” contra o Irã e ameaçou punir nações que mantivessem relações econômicas com Teerã.
“Recebemos inúmeras mensagens de países vizinhos sobre a formação de novos arranjos de segurança e cooperação econômica na região. Os Estados Unidos colocaram a segurança de cada um de seus aliados em um risco tão grande por meio de intimidação e total desrespeito aos seus interesses em prol de Israel, que eles brevemente viram toda a sua existência em risco”, escreveu Ghalibaf.
Na quinta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, criticou a iniciativa norte-americana — apelidada por Trump de “Dia D Econômico” — e afirmou que a medida traria “mais derrota” aos Estados Unidos.
Passagem de petroleiros iraquianos pelo Estreito de Ormuz
Também neste sábado, a agência estatal IRNA noticiou que Teerã concedeu autorização especial para que vários petroleiros do Iraque transitem pelo Estreito de Ormuz. O estreito é uma via marítima estratégica para o transporte de petróleo e outros combustíveis, e bloqueios nessa passagem têm impacto direto nas exportações regionais.
O presidente do Iraque, Nizar Amedi, confirmou em uma conferência que, nos últimos dias, o Irã facilitou a passagem de navios carregados com petróleo iraquiano pelo Estreito e que Bagdá discutiu com autoridades iranianas a possibilidade de exportar mais carga por essa rota. A IRNA afirmou que a autorização foi uma das principais solicitações feitas por Bagdá durante a visita de Ghalibaf ao Iraque.
Antes do início da guerra, o Iraque chegava a produzir cerca de 4 milhões de barris de petróleo por dia; o país foi um dos mais afetados pelo fechamento efetivo do Estreito.
Impacto das sanções e resistência econômica
Quase seis meses após o início da guerra, a economia iraniana enfrenta forte pressão devido a sanções e a um bloqueio naval que dificulta a exportação de petróleo, principal fonte de receita do país. Ainda assim, autoridades iranianas destacam que o país mantém relações comerciais com 147 nações, tendo a China como seu maior parceiro; Alemanha, Coreia do Sul e Japão também aparecem entre os principais parceiros comerciais.
Analistas consultados pela imprensa apontam que, por conta de anos sob sanções ocidentais, o Irã desenvolveu mecanismos para mitigar parte dos efeitos das restrições externas. Hadi Kahalzadeh, especialista em economia iraniana da Universidade Brandeis, afirmou que a capacidade de resistência do Irã tem evitado o colapso econômico e impedido que a crise se traduza em mudanças políticas imediatas esperadas pelos Estados Unidos.
As recentes declarações de Ghalibaf e os contatos com países vizinhos indicam tentativas regionais de ajustar mecanismos de segurança e comércio diante do aumento das tensões internacionais e das ameaças de medidas punitivas externas.
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via G1 mundo