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Lula diz a Trump que tarifas dos EUA contra o Brasil são ‘infundadas’ após telefonema de 1h20

Lula diz a Trump que tarifas dos EUA contra o Brasil são 'infundadas' após telefonema de 1h20

Na manhã de sexta-feira, 21 de agosto de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo durou 1 hora e 20 minutos e, segundo nota do Palácio do Planalto, teve tom amistoso e cordial.

Durante a conversa, Lula afirmou que as justificativas apresentadas pelos EUA para a imposição recente de tarifas sobre produtos brasileiros são “infundadas”. As medidas foram anunciadas com base em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontaram questões como desmatamento, combate à corrupção, funcionamento do sistema de pagamentos PIX, funcionamento do mercado de etanol e supostas importações relacionadas a trabalho forçado.

O presidente brasileiro rebateu cada um desses pontos, segundo o governo, e ressaltou que as tarifas prejudicam as economias de ambos os países. Lula defendeu a continuidade das negociações como a melhor alternativa para resolver o impasse comercial; Donald Trump concordou com a necessidade de preservar as relações econômicas e sugeriu que as equipes técnicas dos dois governos se reúnam o mais rapidamente possível para avançar nas tratativas.

Cooperação no combate ao crime organizado

Na agenda também constou o tema da segurança pública. Lula reafirmou a disposição do Brasil em cooperar com os EUA no enfrentamento ao crime organizado e explicou a posição do governo sobre facções criminosas: segundo ele, esses grupos impõem terror cotidiano em áreas vulneráveis, mas não devem ser equiparados a organizações terroristas.

O presidente informou, conforme o comunicado do Planalto, que a estratégia de estrangulamento financeiro das facções já resultou na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões. Lula citou ainda o plano de transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima, a aprovação da chamada Lei Antifacção e a proposta de emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso para ampliar a atuação da União na área de segurança pública em parceria com os estados.

Também foi mencionada a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, com sede em Manaus, que reúne autoridades policiais dos países da bacia amazônica. Trump manifestou disposição em reforçar a cooperação e indicou que designará altos funcionários para dar prosseguimento às negociações no setor.

Conflitos internacionais

Os presidentes abordaram ainda temas de política externa. Segundo o Palácio do Planalto, ambos concordaram sobre a urgência de buscar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que se aproxima de cinco anos. Lula propôs a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para tratar de crises internacionais — iniciativa que, segundo o governo, já foi levada anteriormente aos presidentes da China e da Rússia.

Em trecho da nota oficial, o Planalto citou declaração de Lula:

“Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.”

Trump também fez considerações sobre perspectivas de resolução das tensões com o Irã. Ao final da ligação, ambos reafirmaram a intenção de manter o diálogo aberto e operacionalizar o encontro entre equipes técnicas para tratar dos temas comerciais e de cooperação.

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via G1 mundo

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