Um bar tem se transformado em ponto de encontro informal da cena de inteligência artificial de Pequim. Batizado AGI Bar e aberto no ano passado, o local fica em Inno Way, rua conhecida por abrigar startups no polo tecnológico de Zhongguancun, no distrito de Haidian.
O proprietário, Song De — desenvolvedor independente de IA na casa dos 30 anos que administra o espaço em horário parcial — desenhou o negócio para atrair pesquisadores, investidores, estudantes e profissionais de empresas concorrentes que trabalham nas proximidades.
Localização estratégica
O bar está a poucos minutos das universidades Tsinghua e Peking University, duas das principais formadoras de talento em IA na China, e também próximo a escritórios de grandes empresas do setor, incluindo DeepSeek e Microsoft. Essa concentração de instituições acadêmicas, grupos de pesquisa, incubadoras e capital de risco ajuda a explicar por que o AGI Bar tornou-se um espaço para seminários, encontros sobre IA de código aberto e até festas promovidas por laboratórios, como a Z.ai.
Serviços, infraestrutura e simbologia
No interior, as paredes exibem logotipos e produtos de empresas de IA chinesas. Na entrada há um grande gongo de bronze que a Z.ai tocou quando listou suas ações na Bolsa de Hong Kong em janeiro — um símbolo do vínculo entre o bar e o ecossistema tecnológico.
Entre as atrações do estabelecimento está a bebida homônima, um copo de chope vendido por 9,9 yuans (cerca de US$ 1,50). Pelo Wi‑Fi do bar, clientes podem usar gratuitamente um agente de IA que dá acesso ilimitado a tokens da DeepSeek voltados para programação. O serviço roda em dois computadores Nvidia DGX Spark expostos no local.
IA como serviço e automação da operação
Song descreve a ideia do bar como uma mistura entre espaço social e laboratório: além de servir como ponto de encontro, ele usa um agente de IA para automatizar tarefas administrativas — controle de estoque, gestão de reservas, monitoramento de serviços públicos e sistema de associação de clientes.
O nome AGI remete ao conceito de inteligência artificial geral — sistemas com capacidades comparáveis às humanas — e o nome chinês registrado do bar foi pensado como um trocadilho entre a produção de bebidas e a “destilação” de modelos de IA (técnica que transfere conhecimento de modelos grandes para modelos menores).
Planos para robôs humanoides
Embora hoje o atendimento ainda conte com funcionários humanos, o dono pretende incorporar robôs humanoides à operação em um futuro próximo, transformando parcialmente a experiência do cliente em uma vitrine de robótica aplicada ao comércio.
Contexto mais amplo
O AGI Bar é visto por frequentadores e observadores como um microcosmo do impulso da China para integrar IA à economia e à vida cotidiana. Na prática, essa expansão já provoca mudanças no mercado de trabalho e em políticas educacionais, com adoção crescente de ferramentas de IA por diferentes faixas etárias e a introdução de programação em anos iniciais do ensino fundamental.
Relatos e entrevistas publicados em 22/08/2026 registram o crescimento de encontros e atividades relacionados à IA no bar, que se consolidou como um ponto de referência para quem participa do ecossistema de pesquisa e negócios em Pequim.
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via G1 mundo