Com a intensificação da pressão econômica promovida pelos Estados Unidos, muitas famílias no Irã relatam grandes dificuldades para arcar com itens básicos como alimentos e medicamentos. Autoridades iranianas reagiram às medidas anunciadas por Washington em 19 de agosto, enquanto moradores descrevem queda do poder de compra e aumento do desemprego.
Na quarta-feira, 19 de agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma nova operação econômica destinada a isolar o Irã, e afirmou que pretende punir países que ajudem a manter a economia iraniana funcionando. Um dia depois, na quinta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou a iniciativa, afirmando que a ofensiva econômica acabaria por trazer “mais derrota” aos Estados Unidos.
Relatos coletados em diversas cidades iranianas mostram que o desemprego vem subindo e que quem ainda tem emprego enfrenta perda do poder aquisitivo. Segundo moradores, muitos passaram a trabalhar mais horas por dia, mas recebem hoje um salário cujo valor real corresponde a cerca de metade do que valia há um ano. A gasolina permanece amplamente subsidiada pelo governo, mas isso não impediu a disparada dos preços de alimentos e remédios.
“Praticamente desistimos de muitas coisas. Cortamos as frutas, cortamos as proteínas, abrimos mão do lazer e até trabalhamos nos fins de semana”, disse Ahmad Karimi, 52 anos, taxista e pai de dois filhos, que afirma trabalhar 15 horas por dia para sustentar a família.
Em outro exemplo do aperto no orçamento doméstico, uma mãe do norte do país postou nas redes sociais uma foto de uma compra básica — leite, ovos, papel higiênico e outros itens, sem carne — que totalizou 89 milhões de riais, equivalente a cerca de US$ 65 (aproximadamente R$ 337).
Dados de mercado e depoimentos indicam aumentos expressivos de preços desde o início do conflito: o arroz ficou cerca de 60% mais caro e o preço da carne bovina subiu aproximadamente 150%. O Fundo Monetário Internacional projeta que, até o final do ano, a inflação no Irã poderá se aproximar de 70% e que a economia do país deve encolher mais de 5% no período.
Especialistas destacam que as medidas de bloqueio naval e as sanções tornam mais difícil a exportação de petróleo — principal fonte de receita do país — e pressionam ainda mais a economia. Ainda assim, o Irã mantém laços comerciais com muitos países e tem experiência prévia em contornar restrições internacionais: atualmente realiza comércio com 147 países, tendo a China como seu principal parceiro, além de relações comerciais com Alemanha, Coreia do Sul e Japão.
“A capacidade de resistência do Irã não apenas evita o colapso, como também impede que o sofrimento econômico se traduza na pressão política e nas mudanças que os EUA esperam”, afirma Hadi Kahalzadeh, especialista em economia iraniana da Universidade Brandeis.
Seis meses após o início da guerra, a combinação de sanções, bloqueios e interrupções nas exportações torna o cenário econômico mais severo para famílias e empresas. Moradores entrevistados dizem reduzir o tamanho e a variedade da cesta básica e priorizar compras estritamente essenciais.
Autoridades de Teerã negam que a campanha econômica vá provocar colapso imediato, mas analistas alertam que a deterioração das condições de vida pode se intensificar caso as restrições e o isolamento comercial avancem.
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via G1 mundo