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Trump ataca aliados, ameaça bombardear Omã e reduz exercícios com a Coreia do Sul enquanto elogia Kim Jong-un

Trump ataca aliados, ameaça bombardear Omã e reduz exercícios com a Coreia do Sul enquanto elogia Kim Jong-un

Por Sandra Cohen — Especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo.

As recentes ações do presidente Donald Trump — que combinam ameaças públicas a parceiros, cortes em operações militares conjuntas e elogios a líderes autoritários — têm causado apreensão entre aliados históricos dos Estados Unidos e gerado dúvidas sobre a previsibilidade da política externa americana.

Na segunda‑feira, 17 de agosto de 2026, Trump afirmou que bombardearia Omã “até não sobrar mais nada” caso o sultanato, que vinha atuando como intermediário, atrapalhasse negociações com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O ponto de passagem marítima responde por cerca de 20% do comércio mundial e é estratégico para o tráfego de petróleo.

O presidente também criticou parceiros que não se envolveram no confronto com o Irã — e reagiu com medidas concretas. Entre elas, a ordem para encurtar os exercícios militares anuais com a Coreia do Sul: operações que deveriam se estender até o dia 27 foram reduzidas e, segundo comunicado presidencial, terminam nesta sexta‑feira.

“Temos 39 mil soldados lá protegendo vocês de Kim Jong‑un, seu vizinho, e vocês não vão nos ajudar em uma operação militar muito simples no Irã?”

Ao justificar a suspensão, Trump citou fatores como custo das manobras e a intenção de preservar um bom relacionamento com o líder norte‑coreano. Referindo‑se a Kim, disse: “Ele gosta de mim e eu gosto dele. Eu me dei muito bem com ele”, resgatando postura de aproximação adotada em encontros nos quais se encontrou com o ditador três vezes durante o primeiro mandato.

Além das ordens militares, Trump usou as redes sociais para demonstrar força: publicou uma imagem do Estreito de Ormuz com a legenda “Novo Território dos EUA”, repetindo táticas simbólicas já vistas em campanhas anteriores contra o Canadá e a Groenlândia. Analistas apontam, porém, que esse tom demonstrativo tem perdido eficácia política e não mobiliza nem aliados nem opositores.

O esfriamento nas relações também se relaciona ao fim do prazo de 60 dias de um memorando de entendimento com a República Islâmica — descrito pelo presidente como “o maior acordo já firmado com o Oriente Médio” — que não alcançou o objetivo de encerrar seis meses de hostilidades nem de desbloquear o tráfego marítimo.

Para acadêmicos e especialistas em segurança, o problema central não é apenas a redução das ações conjuntas, mas a forma como as decisões são tomadas. Dokyoung Koo, pesquisadora do Scowcroft Center for Strategy and Security no Atlantic Council, criticou a falta de consulta aos parceiros e a comunicação de mudanças drásticas no mesmo dia em que exercícios começaram, classificando a atitude como uma afronta ao padrão de respeito que deve existir entre aliados.

“Anunciar uma mudança tão drástica no próprio dia em que o exercício começou, sem consulta prévia adequada a Seul, fica aquém do respeito que os aliados deveriam esperar uns dos outros”, disse Koo.

Observadores internacionais avaliam que a sequência de medidas tem caráter pessoal e de revanche, em vez de responder a cálculos estritamente estratégicos. O resultado é uma teia diplomática cada vez mais personalizada, em que países parceiros se sentem desprezados enquanto líderes autocráticos recebem atenção presidencial.

O efeito prático ficou visível em declarações de governos aliados e em movimentos regionais: vizinhos do Irã já discutem novos acordos de segurança e cooperação econômica diante do cenário de incerteza, sinalizando rearranjos que podem reduzir a influência americana em áreas cruciais.

Analistas alertam para um custo de médio prazo: perda de confiança nas instituições multilaterais e maior espaço de ação para potências como Rússia e China nas regiões afetadas. Em síntese, dizem, a diplomacia de preferência pessoal e a retórica beligerante estão redesenhando — e, possivelmente, enfraquecendo — a arquitetura de alianças que sustentou a ordem global nas últimas décadas.

Atualizado em 21/08/2026.

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via G1 mundo

Sobre o autor

Ademar D. Batista

"Fundador e editor do portal Mundo da Notícia. Formado em Engenharia de Produção e Técnico em Mecatrônica, utiliza sua sólida base analítica e visão baseada em dados para traduzir o mercado financeiro, tendências do Ibovespa e o cenário econômico global de forma clara e acessível para o leitor comum."

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